SIMONI, UMA LIÇÃO DE CORAGEM E DETERMINAÇÃO INSPIRADA PELO VÔLEI
Por: Local
21/01/2010
Fotos: Fernando Soutello/adorofoto
Rio de Janeiro - Mais do que o Cristo Redentor ou o Pão de Açúcar, o que a menina Simoni Felizardo, de 12 anos, praticante de vôlei do projeto social Esporte Cidadão, da Unilever, queria mesmo conhecer no Rio de Janeiro era o técnico Bernardinho. O primeiro encontro entre os dois ocorreu na última quarta-feira, dia 20, antes do jogo Unilever x Praia Clube/Banana Boat, válido pela Superliga Feminina 2009/2010, no Ginásio do Maracanãzinho. "Achei o Bernardinho legal e também gostei de conhecer a Fabi, que é muito guerreira", diz Simoni, com um tímido sorriso no rosto.
Fã do treinador, Simoni era apenas um bebê em 1998, quando Bernardinho visitou sua cidade natal, Toledo, no interior do Paraná, para participar da fundação do projeto Esporte Cidadão, que faz parte do programa de responsabilidade social da Unilever no Brasil. Na época, os irmãos da menina, Silvia, hoje com 23 anos, e Sérgio, com 20, passaram a integrar o projeto. Simoni cresceu e o vôlei foi, naturalmente, se tornando uma paixão em sua vida.
Mas um acidente de ônibus, que resultou em cinco mortos e 35 feridos, quando retornava de Aparecida do Norte para Toledo, em janeiro do ano passado, mudou um pouco sua história. Simoni fraturou seis costelas e perdeu o braço direito, mas não a vontade de ser feliz e, principalmente, de continuar praticando seu esporte preferido. Dois meses depois do acidente, para surpresa da família, Simoni já estava de volta à quadra, com o apoio das colegas do projeto e da professora Mara Regina Carvalho da Silva.
"Ela disse, ainda no hospital, que queria continuar fazendo tudo o que fazia antes do acidente. Ficamos apreensivos, mas apoiamos sua vontade. Bati uma bolinha com ela na rua antes de ela voltar ao projeto e percebi que ela conseguia proteger bem o lado do braço acidentado e jogar com o esquerdo. Disse, então, para os meus pais (Waldemiro e Iracema): 'Deixa ela ir'", conta a irmã, Silvia, que a acompanha na viagem ao Rio de Janeiro, junto com a professora Mara Regina, a convite da Unilever.
Estudante da sétima série, Simoni pratica o mini-vôlei, que tem quadra e rede menores do que o tamanho oficial, bola mais leve e é jogado em trio. Embora fosse destra, se adaptou sem dificuldade a jogar com o braço esquerdo. Também continuou a pintar seus quadros, um outro hobby. "O mais difícil no vôlei é o toque na bola e o mais fácil é a manchete", conta. Sempre otimista, Simoni diz que nunca desanimou. "Se desistisse de tudo, a única prejudicada seria eu mesma. Se Deus quis assim, vai ser assim. Sempre agradeço por eu e meus pais estarmos vivos".
O técnico Bernardinho, que ganhou um quadro de Simoni - "é um cavalo, uma tela linda", comentou - disse que ela é exemplo de vida. "Uma menina que olha a vida com a perspectiva do crescimento, que busca a fecilidade e os seus sonhos. Ela pinta que é uma maravilha, joga vôlei, vive. É um exemplo para todos nós."
Segundo a professora Mara Regina, os treinamentos no projeto Esporte Cidadão nunca foram alterados para atender as necessidades de Simoni. "Ela é que foi se adaptando às novas formas de jogar. Na verdade, foi um processo de superação, não só da Simoni, mas de todo o grupo", comenta.
No Rio, além dos famosos pontos turísticos do Pão de Açúcar e do Corcovado, Simoni também conheceu as praias da orla e esteve com a equipe da Unilever nos treinamentos. Para os cariocas, deixa uma lição: "Tudo na vida é possível. É só a gente querer."
Para desenvolver crianças e adolescentes em regiões de baixa renda do Brasil, a Unilever e os Institutos Esporte & Educação (IEE) e Compartilhar (IC), dos atletas Ana Moser e Bernardinho, respectivamente, realizam há 12 anos o Programa Esporte-Cidadão Unilever, até 2008, intitulado Programa Rexona-AdeS Esporte-Cidadão. O Programa Esporte-Cidadão Unilever, que já atendeu mais de 70 mil crianças, entre 7 e 15 anos, nos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Atualmente, o programa conta com 46 núcleos, totalizando 6,5 mil vagas. O IEE coordena 26 núcleos, sendo que 24 estão distribuídos em São Paulo, abrangendo a capital, Sorocaba, Indaiatuba e Itatiba, e dois no Rio de Janeiro.
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