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FABI: CRAQUE DA UNILEVER, DENTRO E FORA DE QUADRA

Por: Local 14/01/2010

Ao término do Jogo da Solidariedade, disputado no último domingo, dia 10, entre Unilever e Blausiegel/São Caetano, no Maracanãzinho, uma cena corriqueira. A líbero Fabi, uma das principais jogadoras da equipe carioca, atende com tranquilidade os jornalistas e passa um tempo enorme dando autógrafos para a torcida. Sempre solícita. Assim é essa pisciniana de 29 anos, natural do Rio de Janeiro, que praticou vários esportes, mas elegeu o vôlei como modalidade preferida logo após a conquista da medalha de ouro pela seleção masculina nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 92.

Fabi, de 1,69 m e 59 kg, explica a facilidade em lidar com o público de uma forma simples. Diz que é falante e gosta de contar histórias. “Não sei se é carisma, não. Acho que isso vem da minha personalidade. Sou falante, o que me ajuda muito no convívio com as pessoas, sejam elas fãs, jornalistas, amigos ou da família. Acho até que falo demais”, diz a líbero, que garante nunca ter perdido a cabeça com nenhum torcedor. “Eles nunca me tiram do sério.”

Para Fabizinha, como é carinhosamente chamada na equipe Unilever, vôlei é sinônimo de paixão. Com o esporte, que começou a praticar aos 13 anos em uma escolinha de vôlei em Irajá, descobriu pessoas maravilhosas, conheceu novos lugares e conseguiu uma vida melhor. O lado ruim da profissão, segundo a atleta, é ficar longe da família, dos amigos, e, muitas vezes, da praia, um de seus programas preferidos.

“Amo o que faço, mas tudo tem o outro lado da moeda. Muitas vezes, não participo de datas importantes comemoradas em família e acompanho de longe o crescimento de meus primos e sobrinhos. Mas tudo isso faz parte, porque no dia a dia do vôlei também vivo momentos inesquecíveis”, comenta Fabi, filha caçula do casal mineiro João Maurílio e Vera Lúcia e irmã de Maurílio, formado em Odontologia. Atualmente, a jogadora mora sozinha com a cadela Malu em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro.

”Amo ser líbero”

A definição pela posição de líbero ocorreu, inicialmente, por falta de opção, em razão da baixa estatura. Hoje, Fabi sabe que a decisão foi mais do que acertada. “Sempre fui baixinha para a modalidade, mas, sinceramente, não me vejo atuando de outra forma. Amo ser líbero”, afirma. Para ela, uma das maiores dificuldades da posição é tentar se antecipar ao que a atacante do time adversário vai fazer. “Ano a ano, as jogadoras evoluem física e tecnicamente. Consequentemente, suas cortadas e largadas ficam ainda mais imprevisíveis. É preciso estar sempre muito atenta em quadra para conseguir ajudar a equipe.”

Se junto aos torcedores Fabi dá show, dentro de quadra não é diferente. Só para citar conquistas recentes, foi eleita a melhor líbero da Copa dos Campões, em que a seleção brasileira sagrou-se campeã, em novembro de 2009, no Japão, e também no Top Volley, torneio internacional vencido pela Unilever, em dezembro, na Suíça. Na seleção brasileira, atua desde 2001, mas se firmou mesmo como titular a partir de 2005. Entre suas conquistas mais importantes estão a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim/2008, em que também foi eleita a melhor líbero, e o octacampeonato no Grand Prix.

“Tenho uma identificação muito grande com crianças e adolescentes. Acredito que, por ser a mais baixinha, eles me olham como a "normal" da turma. Gosto disso e sei da minha responsabilidade. Procuro estar sempre atenta ao que falo. Dentro de quadra, tento me superar para que eles percebam que, mesmo baixinha, posso sonhar em ser uma jogadora profissional e continuar superando meus limites”, diz Fabi. “Sinceramente, não me vejo como a melhor libero do mundo. A única certeza que tenho é que nenhuma libero no mundo ama o vôlei como eu!”, brinca.

Na Unilever, Fabi joga desde a temporada 2005/2006 e já conquistou quatro títulos pelo clube na Superliga. Na temporada 2009/2010, acredita que seu time terá ainda mais dificuldades para chegar ao lugar mais alto do pódio e descarta o favoritismo. “Esta edição da Superliga é, sem dúvida, a mais difícil dos últimos tempos. Não existem favoritos, pelo menos quatro equipes têm chances iguais de vencer”, acrescenta Fabi, lembrando ainda que 2010 é ano de Mundial, o único título que falta para o vôlei feminino brasileiro.

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